quinta-feira, 18 de junho de 2009

História da Biblioteconomia

A história da biblioteca e do bibliotecário no mundo:

A história das bibliotecas, no mundo, acompanha a própria história da escrita e das formas de registro do conhecimento humano. Há relatos de bibliotecas na Antigüidade que já reuniam milhares de tábuas de argila. Mais tarde, surgiram as coleções de papiros e pergaminhos. A mais famosa biblioteca da Antigüidade foi a de Alexandria no Egito, criada no século III a.C., e que chegou a reunir cerca de 700 mil volumes de manuscritos. Ela compreendia dez grandes salas e quartos separados para os consulentes. A Biblioteca de Alexandria foi o grande marco da história das bibliotecas da Antigüidade e foi destruída por um grande incêndio provocado pelos árabes em 646 da Era Cristã.

Na Idade Média, existiam três tipos de bibliotecas: as bibliotecas dos mosteiros (lembradas por Umberto Eco, em seu livro “O Nome da Rosa”) e de ordens religiosas diversas, as bibliotecas das universidades e as bibliotecas particulares, quase sempre pertencentes aos reis, nobres ou grandes senhores. Estas últimas constituem a origem das bibliotecas nacionais.

Desde o surgimento das bibliotecas até o período da Renascença os guardiões dos livros não tinham uma existência social como os bibliotecários que conhecemos hoje; eram sempre eruditos (sacerdotes ou figuras da elite) que viviam reclusos em suas bibliotecas e preocupados em salvaguardar e copiar as obras dos acervos. As bibliotecas da Antigüidade e da Idade Média não tinham como objetivo dar acesso ao grande público, pelo contrário, eram símbolos de poder e acúmulo de conhecimento para os poucos que tinham o privilégio de consultá-las. Tanto que nas invasões e guerras, as bibliotecas não eram poupadas da destruição do inimigo, dada a importância simbólica que exibiam. Dizimar os símbolos do saber acumulado de um povo era, também, dizimá-lo da História.

Quando a tipografia foi criada na Renascença, o livro ganhou uma maior visibilidade e veiculação, tornando a biblioteca e, conseqüentemente o bibliotecário, mais populares. Mas o bibliotecário, nesse período, ainda era um erudito ou um escritor que cuidava dos acervos, à procura de paz para idealizar e escrever sua obra. Cabe dizer, também, que até a Idade Moderna as bibliotecas, arquivos e museus eram uma só entidade, onde eram guardados todos os tipos de documentos.

Com o surgimento do livro impresso, a biblioteca também ganha uma existência própria. A partir do século XVII, surgiram as primeiras bibliotecas públicas, patrocinadas por mecenas (pessoas que patrocinavam artistas e escritores para obter prestígio). A abertura maciça das instituições, até então restritas ao grande público, como museus e bibliotecas, deu-se a partir da Revolução Francesa, que também foi o estopim para os ideais de uma educação pública laica e gratuita. A figura do bibliotecário começou a ganhar uma visibilidade social e a biblioteca passou a não ser mais o local do saber e conhecimento restrito, mas sim o local que deveria ser organizado de modo que todos pudessem ter acesso aos conteúdos que ela disponibilizasse.

A partir de meados do século XIX, sentiu-se a necessidade de haver um profissional com formação especializada e técnica, pois se reconheceu que era uma profissão socialmente indispensável.

Foram desenvolvidas efetivamente, a partir dessa época, práticas e técnicas bibliotecárias a fim de sistematizar as informações existentes nos acervos das bibliotecas. Em 1876, por exemplo, Melvil Dewey publicou nos Estados Unidos a primeira edição de sua Classificação Decimal (para classificar assuntos) ou simplesmente CDD, primeiro sistema do gênero a ser amplamente adotado nas bibliotecas, inclusive até os dias de hoje. Embora desde a Antigüidade tenha-se pensado em formas para classificar as áreas do conhecimento humano, foi a partir deste momento que se pensou em criar sistemas de classificação bibliográfica universal com o objetivo de organizar os acervos de bibliotecas e facilitar o acesso dos usuários às suas informações. Outros códigos de classificação também foram sendo criados e utilizados ao longo do tempo.

Em relação à formação do bibliotecário, viu-se, a partir do século XIX, o desenvolvimento de dois modelos distintos de ensino e formação em Biblioteconomia: o francês (mais humanístico) e o norte-americano (mais pragmático e tecnicista).

O ícone do modelo francês foi a Ecole de Chartres, escola de nível superior que formou bibliotecários durante todo o século XIX, passando pela mesma formação reservada aos arquivistas - paleógrafos e arqueólogos; acentuando a sua base na cultura geral.

Nos Estados Unidos, já havia movimentos, desde 1876, em direção a um reforço maior na formação técnica dos bibliotecários, como publicações voltadas para bibliotecários e articulação para a criação de cursos de formação. Neste ano, aliás, a American Library Association é fundada. Melvil Dewey consegue formar, em 1887, a primeira turma de sua School of Library Economy, dentro da Columbia University, onde todas as técnicas profissionais eram ensinadas em apenas quatro meses.

Curiosamente, nessa mesma época, percebeu-se uma grande procura das mulheres pela profissão. Ainda era forte a resistência à entrada de mulheres no mercado de trabalho e nas universidades. Jeannette Kremer conta a seguinte história ocorrida com Melvil Dewey sobre a entrada de mulheres em seu curso: “Contra as ordens expressas dos curadores da Columbia University, ele [Dewey] abriu as portas às mulheres, que já somavam dezessete dos vinte alunos da primeira turma. Foi por esse motivo demitido da universidade, pouco depois. Em 1889 mudou a sua escola para a University of the State of New York em Albany, com um curso de dois anos em nível de graduação”.

Mais tarde foram criados, em todo o mundo, mais cursos de bacharelado e de pós-graduação em Biblioteconomia. Nas últimas décadas do século XX, a Biblioteconomia já tinha um caráter bem diferente do seu início, trabalhando com questões interdisciplinares como Análise Documentária, Lingüística, Lógica, Terminologia e Organização do Conhecimento.

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